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CCaç 13 - Biambe |
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A velhinha e o galo - 9/4/1970
Durante a operação ao Queré (8 e 9/4/1970) que foi descrita genericamente noutra crónica, houve ainda outro episódio que pelo absurdo e pelo lado humano que envolveu, merece ser contado.
Estávamos a montar uma emboscada e o soldado Calabouche, alertou-me, que a cerca de 150 m atrás de uns arbustos estava uma pessoa, não faço ideia como ele e outros conseguiam saber aquilo, nem nunca eles me souberam explicar, talvez o cheiro, talvez um som, não sei, mas estava mesmo lá uma pessoa.
Bissorã - pequeno galo
Dei a minha G3 e os carregadores ao Calabouche, e disse-lhe para ir buscar quem lá estava, enquanto eu apontava a sua bazuca para os arbustos, para lhe dar cobertura, caso surgisse alguma reacção hostil.
Calabouche dirigiu-se furtivamente para o local, aproveitando a vegetação existente, e apanhou a pessoa.
Era uma velhinha que lá estava escondida e que chegou a tremer pois pensava que a íamos matar, depois de a acalmarmos, disse-lhe para nunca mais fazer aquilo e que quando visse a tropa bastava dizer-lhe "Amiga do furriel Fortunato da C. Caç. 13 de Bissorã" e nunca ninguém lhe faria mal.
Muito agradecida a velhota foi-se embora, mas passado um bocado apareceu com um pequeno galo para me oferecer, duplamente satisfeita porque ninguém lhe tinha feito mal, e nem lhe tinham roubado o galo, pois bastava falar no meu nome e deixavam-na passar.
Contudo eu estava no meio de uma operação e não podia aceitar a oferta, e pedi a um soldado para lhe explicar em balanta que não podia aceitar, porque o galo faria barulho e ainda podia ser morto por causa dele, ao que o soldado retorquiu que não podia dizer isso, pois ela ficaria ofendida e triste com a recusa, e que aquele era o único animal que ela tinha.
Perante o ar de satisfação com que a velhota me olhava, não tive a coragem de insistir, e disse ao soldado para lhe dizer, que tinha gostado imenso do seu presente e que estava muito agradecido, mas que ela devia ficar em casa, pois era muito perigoso estar ali.
Depois de avisar o galo que lhe cortava o pescoço se ele fizesse barulho, coloquei-o na sacola com a cabeça de fora e lá o carreguei até ao quartel, onde o ofereci a um soldado que se ia casar.
Este galo ainda seria a origem de graves problemas, quando fossemos para Bissorã, pois a companhia mobilizou-se para o ir resgatar à residência do Administrador da região, para onde tinha sido levado abusivamente pela guarda deste, mas isso fica para contar numa futura revisão do site.
Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato Crónica de Carlos Fortunato ex-furriel da CCaç. 13 Fotos de Carlos Fortunato ex-furriel da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Isabel Niza
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