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Katyusha - 3/11/1969
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Lançador
de foguetões Sovietico DKZ-B 122mm capturado
ao PAIGC (1) |
1978 - Porto de Bolama,
com a rua
principal ao fundo (2) |
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Katyusha era o nome de uma popular canção de guerra soviética da 2ª guerra
mundial, mas foi também um dos nomes dados ao míssil terra-terra de 122mm BM-21
adoptado pelo exercito Soviético em 1963, normalmente designado por foguetão de
122mm pelas NT.
No dia 3/11/1969 quando a C. Caç. 13, estavam no cais de Bolama, preparando-se para
embarcar numa LDG, ouviu-se um longínquo "pof" vindo da parte continental (zona de Tite),
um dos africanos disse "saída" sorrindo, mas logo a seguir passaram
sobre as nossas cabeças 3 foguetões 122mm, um acertou numa das pequenas
vivendas que corriam ao lado da rua principal, que ligava o porto ao largo
principal da cidade, apenas a uns escassos 30m do local onde estávamos, outro
caiu no largo principal um pouco mais acima, e o terceiro mais longe, já fora da
zona habitacional.
Corremos de imediato para o local dos impactos para prestar assistência às
eventuais vitimas, mas felizmente apenas houve ferimentos muito ligeiros entre a
população.
Os morteiros 107mm existentes no quartel de Bolama, responderam ao fogo.
Leopoldo Amado historiador guineense, que na altura era ainda um menino,
vivia em Bolama, lembra-se deste episódio ficou marcado na sua memória, e embora não me
lembre dele, nem ele de mim, de certeza que nos devemos ter cruzado, pois
a cidade era muito pequena, aqui fica a sua lembrança dos acontecimentos, num
extracto de um e-mail que ele gentilmente me enviou:
"... Cruzamo-nos em Bolama de certeza, pois lembro-me perfeitamente do primeiro
ataque com o foguetão de 122mm.
Lembro-me da casa atingida. Era a casa do velho
Augusto, um português cabo-mar de Bolama que deixou-se ficar por lá e era casado
com a Sr.ª Mariazinha, uma guineense.
Ficava defronte à minha. A minha casa, que
era também uma vivenda germinada, estilhaços atingiram minha prima que vivia
justamente do outro lado da mesma vivenda geminada..."
Este foi o primeiro ataque com mísseis registado na Guiné, e mostrou o
crescente poder de fogo que a guerrilha possuía a cada dia que passava.
Estes foguetões soviéticos de 122mm possuíam um alcance de 20 Kms, e
completavam o poder das armas pesadas da guerrilha, os morteiros 60mm e os 82mm,
e os canhões sem recuo SPG-82.

1970 - Encheia - Devido ao elevado peso, o suporte e o prato,
do morteiro 60mm, não eram utilizados pelas NT nas deslocações
(3)
A resposta a este armamento soviético foi dada pelos morteiros 107mm, que
tinham um alcance de 5, 35 Kms, mas mesmo que estivesse no seu raio de
acção, só por um mero acaso é que atingiriam o alvo, dada a impossibilidade de
localizar o inimigo, no meio de um mato sem fim .
As NT possuiam igualmente obuses de 105mm e 140mm, em várias zonas da Guiné, mas o
seu alcance era respectivamente de 10 Kms e 14,81Kms, o que também era inferior aos Katyusha.

1970 - Mansôa - Morteiro 81mm
Sistema defensivo bem montado,
com granadas prontas para ripostar rapidamente
e inscrições nos bidons, para regulação para prováveis locais
de onde o IN poderá disparar (3)
Um morteiro 81, com um alcance de 4.050m, era a arma pesada que era
disponibilizada a todas as companhias aquarteladas, armas mais pesadas só
algumas companhias as possuíam, para além do morteiro 81, cada pelotão (uma
companhia tem 4 pelotões) possuía um morteiro de 60mm, uma metralhadora ligeira
HK21 e uma bazuca, todos os restantes elementos possuíam G3.
Este ataque, mostrou que qualquer alvo estava agora ao alcance do PAIGC, e
que o seu poder de destruição era enorme como comprovava a casa praticamente
destruída, e o enorme buraco no largo, onde cabia um jipe, de nada valiam os
quartéis à volta de Bissau, para a sua segurança.

Diário de Noticias - Ataque a Bissau com foguetões (3)
Os operadores das Katyushas eram normalmente soldados do exercito cubano.
Armamento pesado do exercito português em 1969
| Bocas de fogo |
Tipo |
Calibre |
Alcance
máximo |
Tipo de granada que podem utilizar |
| Morteiro |
ligeiro |
60mm |
1.815m |
Explosiva, fumos, iluminante |
| Morteiro |
médio |
81mm |
4.505m |
Explosiva ordinária, explosiva de grande potência,
fumos |
| Morteiro |
pesado |
107mm |
5.350m |
Explosiva, fumos, sinalização, gases, incendiária |
| Canhão S/R |
|
57mm |
3.967m |
Explosiva, Explosiva anti-carro, fumos |
| Canhão S/R |
|
75mm |
6.581m |
Explosiva, Explosiva anti-carro, fumos |
| Canhão S/R |
|
106mm |
7.678m |
Explosiva, Explosiva anti-carro, explosiva tracejante,
fumos |
| Obuses de Artilh |
ligeiro |
75mm |
9.560m |
Explosiva |
| Obuses de Artilh |
ligeiro |
88mm |
10.000m |
Explosiva, fumos |
| Obuses de Artilh |
ligeiro |
105mm |
10.000m |
Explosiva |
| Obuses de Artilh |
médio |
140mm |
14.810m |
Explosiva |
| Obuses de Artilh |
médio |
150mm |
13.475m |
Explosiva |
| Obuses de Artilh |
pesado |
203mm |
20.000m |
Explosiva |
| Peças de Artilh. |
ligeiro |
114mm |
18.740m |
Explosiva |
A evolução da munição utilizada, alargou posteriormente um pouco mais o
alcance destas armas.
Publicado no site em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato
Crónica de
Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13
(1) Fonte da foto: livro "Guerra Colonial", Aniceto Afonso e
Carlos de Matos Gomes
(2) Fonte da foto: http://www.medeirosfranke.com/africawww/indexafrica.html
(3) Fotos de
Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
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Carlos Fortunato
Isabel Niza
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