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Criação da CCaç. 13 - 1969

Quartel de Portalegre (1)
A CCaç. 13 foi constituída em Portalegre em
princípios de 1969,
na altura ainda como Companhia de Caçadores n.º 2591, era apenas
constituída por oficiais, sargentos, cabos e especialistas, tinha por destino a Guiné Bissau.
Portalegre foi onde
realizamos o IAO (Instrução de
Aperfeiçoamento Operacional), treino que as unidades faziam antes de partirem
para o Ultramar, o qual não adiantava nada em relação ao treino que tínhamos
tido anteriormente, mas que permitia o conhecimento mutuo, e organização e
estruturação da companhia.
Na Guiné, a
primeira tarefa dos graduados, foi
treinar uma companhia de guinéus de etnia balanta, e depois seguiu com os
mesmos, para o teatro de guerra de onde
estes eram originários.
Foi a primeira vez que foi realizada uma integração
tão grande de elementos locais numa companhia.

1974 - General António Spínola (2)
A criação de companhias de africanos apenas com quadros da metrópole, era considerado por
alguns como a criação de uma situação de risco, pois se existisse uma revolta os
soldados poderiam facilmente dominar um aquartelamento, mas o General Spinola
acreditava que a solução passava por numa maior intervenção dos guineenses.
Esta ideia de
companhias de africanos não era nova, existem referências a
companhias indígenas criadas no passado, e naquela altura já existiam na Guiné pelotões de africanos (cerca
de 20 homens), apenas comandados por elementos da metrópole, os quais serviam
normalmente de reforço às companhias, mas existiam também casos em que os
africanos integravam as companhias, e nalguns deles eram a maioria dos
combatentes, isto para além dos elementos locais que constituíam
os pequenos grupos de milícias.
Em Portalegre foram constituídas na mesma altura 2
companhias, a CCaç. 13 e a CCaç. 14, com características iguais, as quais seguiram um caminho comum
(Portalegre e Bolama), até ao momento em que partiram
de Bolama para
a sua zona de operações.
A CCaç. 13 seria constituída por balantas, e a CCaç. 14
por mandingas, ambas seguiriam depois para a região do Óio.
A CCaç. 13 desde a sua constituição inicial em Portalegre no início de 1969, até à
sua extinção em 20 de Agosto de 1974, teve um percurso em que percorreu as
seguintes localidades:
-
Março (?) 1969 - Portalegre
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30 Maio 1969 - Bissau
-
1 Junho 1969 - Bolama
-
5 Novembro 1969 - Bissorã
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19 Dezembro 1969
- Binar
-
30 (?) Março 1970
- Biambi
-
Maio (?) 1970 - Encheia
-
Maio 1970 a Agosto
de 1974 - Bissorã
A CCaç. 14 seria colocada em Cuntima. Para chegar a
Cumtima a CCaç. 14 viajou por mar até ao norte da Guiné, entrando pelo Rio
Cacheu e desembarcando em Farim. Cuntima fica ainda a nordeste de Farim.
Cuntima significa "Colina do Norte", e fica perto da
fronteira do Senegal.
Em 1970 seria dado um novo passo nesta africanização da guerra, com a criação das companhias de comandos e fuzileiros,
integralmente constituídas por guineeenses.
Foi em Portalegre que a CCaç. 13 desenhou o seu
emblema, e escolhemos a
designação de Leões Negros, tendo em atenção a integração dos balantas na
companhia.

Emblema da CCaç. 13 (1)
À esquerda o primeiro símbolo desenhado pela própria
companhia em Portalegre, e à direita o segundo que surge já no seu fim,
desenhado pelos serviços do exercito de acordo com as normas estabelecidas na
altura, o qual incluía o símbolo da Guiné - Bissau.
Um exemplo de outra companhia com forte presença
africana é o da CCaç. 6, os "Onças Negras", companhia que era constituída
maioritariamente por africanos, nela estavam lá representadas quase todas as
etnias: sossos, manjacos, mandingas, saracolés, fulas, balantas, papeis, etc.
Esta companhia que nasceu da 4ª CC, só passou a ter a designação de CCaç. 6 em
Abril de 1967, era mais conhecida como CCaç 6 ou Companhia de Bedanda, devido a
estar sediada nessa localidade, a qual estava localizada na zona sul, entre Buba
e Catió.

Emblema da CCaç. 6 (3)
Classificada como força de intervenção, o destino da CCaç. 13 será o de realizar operações contra as forças do PAIGC, não terá
quartel, nem base fixa, irá para onde for preciso e viverá como for possível,
embora Bissorã seja considerada a sua casa, pois é o único local com instalações
para os receber, e onde temporariamente a sua tarefa foi o desempenho das
missões habitualmente atribuídas às guarnições.

24/05/1969 -
Embarque no navio Niassa para a Guiné (4)
A Companhia
partiria para a Guiné em 1969, após uma breve estadia em Portalegre.
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Niassa (5)
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1969 - Niassa - A
caminho da Guiné os furrieis , Bartolomeu da CCaç 14, Adriano e Teodoro
da CCaç 13, ? da CCaç 14, e Tavares da CCaç 13 |
A sua
viagem no Niassa para a Guiné teve como destino Bissau, onde desembarcou a
30/05/1969.
A Companhia
esteve apenas de passagem em Bissau, depois de uma noite dormida ao relento no
quartel de Brá, seguiu para Bolama, onde
treinou os soldados africanos da sua companhia, bem como um pelotão de felupes, e realizou algumas operações na
zona sul.
Terminada a
instrução, a companhia foi colocada como força de intervenção na zona do Óio a
5/11/1969, inicialmente em Bissorã, vila onde mais tarde acabaria por ficar
definitivamente colocada, a partir de 12/07/1970. Isto não impediu que a
companhia não fosse chamada para apoiar a invasão à Guiné Conakry, a 22/11/1970,
tendo enviado para o efeito 2 grupos de combate, os quais não chegaram a
intervir dado a missão ter sido abortada.
Bissorã serviu de
base a muitas operações, mas na fase inicial a companhia passou a maior parte do tempo a
saltitar de quartel para quartel na zona sul do Óio, em apoio às
companhias ai sediadas, realizando operações para neutralizar as forças
inimigas.
As acções da CCaç. 13 visaram mais conter e castigar as forças de guerrilha, do que
elimina-las, dada a dimensão e poderio militar que estas possuíam em zonas como
o Morés, o Queré, ou o Choquemone.
A maior batalha em
que a CCaç. 13 esteve envolvida foi a operação Jaguar, contra a base do Morés,
a 9/6/1970, a qual teve a duração de 17 dias.
Outra das acções
realizada, foi a de construir novas aldeias, para realojamento das populações, e
novos quartéis
para as companhias que viriam da metrópole as poderem proteger.
Comandantes da CCaç. 13:
-
Cap Mil Inf Álvaro
Alberto Durão - 1969
-
Alf Mil Inf (Ranger)
Adelino Manuel de Almeida Pimenta Correia - 1971
-
Cap Mil Inf João
Carlos Carvalho de Castro - 1971
-
Cap Mil Cav (Ranger)
Carlos Matos de Oliveira - 06/72 a 03/74
-
Cap Pratas -
04/74 a 04/74(?)
-
Cap Mil Inf Humberto
Manuel Teixeira Gonçalves de Figueiredo - 05/74(?) a 08/74

O primeiro oficial da esquerda é o comandante da CCaç.
13 em 1971, o
Cap Mil Inf João Carlos Carvalho de Castro,
ao meio da mesa o coronel Fernando Caldeira, comandante
do BCaç 2927. (6)

Cap Mil Cav (Ranger) Carlos Matos de Oliveira - 06/1972 a 03/1974
Um
dos últimos comandantes da CCaç. 13 (6)
O regresso deste
primeiro grupo de soldados da metrópole, foi realizado
novamente de barco, no Uíge, com desembarque em Lisboa em 22 de Março de 1971, e a desmobilização
foi em 20 Abril de 1971.

Uíge
(5)
Com novos quadros
idos da metrópole, e com novos recrutamentos feitos na Guiné, a CCaç. 13 continuou a sua tarefa, até que foi extinta em
20 de Agosto de 1974.
Publicado no site em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato
Crónica de
Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13
Bibliografia:
-
Resenha histórico
militar das Campanhas de África, 7º Volume, Fichas das Unidades, Tomo II -
Guiné
-
Registos existentes no
Arquivo Histórico Militar
Fotos:
-
(1) Fotos de
Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13
-
(2) Foto
retirada da revista "Manchete"
-
(3) Fotos de Moura Ferreirado,
ex-alferes da CCaç. 6
-
(4) Fotos de
Tavares Gonçalves, ex-cabo da CCaç. 13
-
(5)
Fonte da foto: http://navios.no.sapo.pt/
-
(6) Fotos
de Carlos
Oliveirado, ex-capitão da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
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